Um pouco de otimismo melancólico

domingo, 7 de agosto de 2016

Eu amo flores naturais porque elas passam.
Eu amo e compro flores naturais porque elas morrem.
Eu detesto flores de plástico, porque elas ficam.
A flor de plástico ao pretender ser eterna, é apenas algo sem graça e se  tenta imitar uma flor natural ela é ainda mais dolorosa.
Eu amo flor natural porque em uma semana ela faz o que eu faço no prazo de 50 ou 70 anos....
Ela abre, chega ao máximo de seu esplendor, declina e morre.
A beleza dela é essa.
Passar me torna humano e não triste.
A mortalidade me torna único.
Me torna uma rosa especial dentre todas outras rosas.
A dor da transitoriedade é , na verdade, a alegria e a liberdade de que não sou eterno.
E não sendo eterno , tenho um momento único a minha disposição.
Talvez isso seja um consolo diante do inevitável que se aproxima.
Pode ser que esteja me iludindo, se for esta funcionando.
Tudo passa , e que bom que passa....
Seria um horror se não passasse.
 ( Leandro Karnal em sua palestra a inveja e a tristeza sobre a felicidade alheia)

Sobre o Amor

terça-feira, 19 de julho de 2016
Quando amamos alguém, um dos sinais de amor verdadeiro é que amamos os seus defeitos.
Esse amor de que falamos não significa complacência, não é dizer ao outro que me agrada o que ele tem de desagradável, pois isso seria mentira e hipocrisia.

O amor de que falamos é dar ao outro o direito de ser diferente. É dar a
ele o direito de experimentar sua liberdade. De experimentar em mim mesmo esta capacidade de amar o que é amável e de amar, também, o que não é amável.

Jean-Yves Leloup

Violência: Brasil X Síria

domingo, 6 de março de 2016
 Nós ocidentais costumamos a chamar de atentado terrorista islâmico toda ação violenta que parte de um mulçumano, e nunca vemos nos jornais que o IRA fizera um atentado terrorista católico. Há pessoas que matam, porque gostam de matar. Há genocidas de ascendência católica como Hitler e Mussolini. Há genocidas como Stalin que são ateus. Nós matamos em nome de deus, em nome do ateísmo, nas cruzadas em nome de Jesus, em nome de Alá, enquanto não se matar por esse motivo, se matará por outro. No Brasil, se decapita pessoas nas penitenciarias do Paraná, queimam-se pessoas vivas nas periferias do Rio de Janeiro, e nada disso é retratado como terrorismo. Nós temos violência social intensa, não de cunho religioso, na maioria dos casos. Provavelmente o numero de mortos no transito faria guerra civil. Não temos atentados terroristas de cunho religioso, mas temos uma violência enorme, que talvez se um habitante da síria, lendo os jornais tratando do numero de mortes no transito, ou sobre as penitenciarias brasileira, ou vendo o numero de assassinatos nas ruas, se sentiria mais seguro onde se estar. No momento não há clima de atentados de base religiosa, pois, para a realidade brasileira não estamos conseguindo concorrência para nossa violência. 

UM POUCO SOBRE SATÁN

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
Shâtan (Satanás) em hebraico significa o obstáculo; ao mesmo tempo que desperta o nosso desejo de união com Cristo ou com Deus acorde o que constitui um obstáculo, o que quer impedir esta união. No pensamento judaico-Cristã, o satanás não é um Deus na frente de Deus, o poder do mal e das trevas que se opunha, como nos esquemas dualistas, à potência do bem e da luz. Shâtan é uma criatura cuja função é nos experimentar, de nos tentar, a fim de nos tornar mais fortes ou simplesmente para nos permitir tomar consciência do nosso grau de fé e confiança em Deus.

METANOIE-TE

domingo, 13 de dezembro de 2015

"Esse mundo da não-morte, esse mundo da sabedoria e do discernimento e da compaixão, eu creio que é isso que todos nós buscamos. Temos diversos ecos com os ensinamentos do Evangelho.

A primeira frase de Jesus é: Metanoie-te. Que muitas vezes é traduzido por:Convertei-vos. Como uma tradução da palavra hebraica Teshuvá, que significa voltar para si mesmo, voltar para sua terra.
Os antigos diziam que a conversão é voltar daquilo que é contrário a nossa natureza para aquilo que lhe é próprio. Reencontrar em nós essa natureza do Cristo. Essa natureza que é ao mesmo tempo luz e compaixão.
Mas qual caminho tomar?
E é aqui que a palavra Metanoie-te é importante. Assim como na palava metafísica, o radical meta significa além, por além, do mental. 
Metanoie-te é um convite a irmos além do mental. Ou seja, na maior parte do tempo vivemos em nossos pensamentos, não vivemos a realidade, vivemos na realidade interpretada; sejam as interpretações positivas, negativas ou neutras da realidade. E trata-se de irmos além dessas representações, e entrarmos num olhar puro, virgem, de todas as projeções; um olhar esvaziado de todas essas projeções que projetamos sobre o real. Não vemos a realidade, mas sim as imagens, as ideias, julgamentos sobre a realidade, e trata-se de sair dessa ilusão. Me lembro de um encontro que tive com Dalai Lama, e lhe perguntei o que era Nirvana, e ele me respondeu: Ver tudo tal como é.
Confesso que num primeiro momento isso não me fez voar tão alto. Mas é a realidade, nós não vemos as coisas como elas são, e jamais vimos; só conseguimos ver através de nossas projeções, atrações, repulsões, todas essas memórias do passado. 


Aqui temos uma palavra do Evangelho, e que também encontramos seis séculos antes de Cristo, no cânon budista, quando Jesus diz: Isso é, Isso é. Isso não é. Isso não é. Tudo o que falamos a mais, vem do mal, vem do mental. Mental e mentira vem da mesma raíz. Então, trata-se de vermos as coisas tais quais elas são. (...)

O texto da Vulgata diz: Es es, non es, non es. ( Aquilo que é, é; aquilo que não é, não é.) E tudo aquilo que falamos a mais são sobreposições que nos afastam do real.

Metanoie-te, trata-se de purificar nosso olhar. Olhar com clareza, com lucidez. E será neste olhar lucido que poderemos amar verdadeiramente, que nós podemos amar além das nossas atrações e repulsões, que faz que sejamos capazes de amar inclusive nossos inimigos. Isso não é algo natural, uma vez que temos dificuldade de amar nossos próprios amigos, amar aqueles que nos amam é normal, mas amar aqueles que não nos amam isso se supõe uma enorme liberdade, e será através dessa liberdade que o Evangelho e o Cristo nos irão conduzir. 
Esta liberdade do qual Ele nos dá testemunho.
- Perdoai-os, eles não sabem o que fazem

Nós não sabemos o que estamos fazendo, não sabemos o que estamos dizendo, não sabemos o que estamos pensando. Nós precisamos desta compaixão, para não fecharmos os outros em seus atos ou palavras. Esta é a própria experiência do perdão: não fechar o outro dentro de seu karma;não fechar os outros dentro das consequências negativas de seus atos; e também nós mesmos, não nos fecharmos nas consequências negativas de nossos atos. Aqui há esta noção importante do karma, enquanto o encadeamento de causas e efeitos.

Nada daquilo que fazemos é sem consequências, e isso nos trás o sentido da responsabilidade, e é a isso que a tradição judaica e a tradição cristã chama de justiça, justiça imanente. Colhemos as consequências de nossos atos. Essas são palavras do Evangelho - Colhemos aquilo que semeamos. 
Existe então uma justiça, mas existe algo mais profundo que a justiça, esse fundo de misericórdia, esta possibilidade de perdão, que abre uma saída para nosso karma, onde não ficamos completamente fechados nas consequências de nossos karma, e este despertar não é somente para a próxima vida, mas que pode ser vivido nessa própria vida.

Os dois ladrões que foram crucificados ao lado de Cristo me surpreendem. Um deles diz: Salve a ti mesmo. E ele continua a insultar o Cristo. O outro diz:Estamos vivendo aqui a consequência de nossos atos, mas este homem no meio de nós nada fez de mal. E neste momento ele se volta para o Cristo e diz:Lembre-se de mim no teu ReinoLembre-se de mim no Reino do teu Espírito. E neste momento Jesus lhe diz: Hoje mesmo estarás comigo no paraíso. Ele não diz, que ele deverá vir numa próxima vida, para purificar as consequências dos seus atos. Mas, através deste ato de fé, de confiança, no poder do amor e da misericórdia, você poderá entrar hoje mesmo na consciência do despertar.(...)

Esse espaço em nós da não-morte, esse espaço em nós que já é livre, esse espaço em nós que já está salvo, em hebraico 'estar salvo' quer dizer respirar largo, amplo - Yesha. No nome de Yeshua ( Jesus em hebraico ) existe esta mesma raíz - Yesha . O nome de Jesus ( Yeshua ) significa - Deus salva. Quando invocamos o nome de Jesus, ( Yeshua) nós invocamos em nós este espaço de liberdade, de libertação, é importante lembrarmos disso; Este espaço já está aqui.

Me lembro que, quando perguntaram a Sri Ramana Maharshi para onde vais após a morte, e ele responde: Eu vou para onde Eu Sou desde sempre. 

E esta também é a resposta do Cristo: Lá onde Eu Sou também quero que vocês sejam. Esta consciência na qual me encontro, esta relação com a Fonte, que na minha linguagem chamo de Pai, esta relação com o princípio de toda existência, também é aí que vocês podem estar.

É importante lembrarmos que em algum lugar dentro de nós mesmos, já estamos despertos, já estamos salvos. Trata-se de tomarmos consciência deste dom que nos é dado, a isso chamamos de Graça, é algo gratuito, algo que não merecemos, mas uma realidade a qual podemos nos abrir. 

A isso na tradição cristã chamaremos de Sabedoria, ou seja, o conhecimento do Ser, o conhecimento do espaço infinito que está em nós. Este infinito é fonte de bondade. São palavras de Jesus: O sol brilha sobre os bons e os ruins; sobre o ouro e sobre o lixo.

Trata-se de despertar em nós este sol, esta presença, e todos os ensinamentos do Evangelho tem por objetivo este despertar; assim como todos os ensinamentos de Buda, tem como objetivo o despertar para essa bondade primordial.
Creio que as últimas palavras de Buda foram: Seja uma luz para si mesmo. Não sigam apenas o meu ensinamento, mas sejam uma luz dentro de vocês."
Jean-Yves Leloup - Palestra sobre Buda e Cristo 

Meus amigos - Loucos e Santos

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. 
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. 
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. 
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. 
Deles não quero resposta, quero meu avesso. 
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. 
Para isso, só sendo louco. 
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. 
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. 
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. 
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. 
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. 
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. 
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. 
Não quero amigos adultos nem chatos. 
Quero-os metade infância e outra metade velhice! 
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. 
Tenho amigos para saber quem eu sou. 
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde.
Dramaturgo, escritor e poeta irlandês.

Deus não existe!?

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O que eu digo quando digo “Deus”? Cada palavra nos remete a uma experiência.
Se Deus não é para nós uma experiência, uma liberdade no coração de nossos condicionamentos, uma leve brisa no coração de nossos arquejos, então Ele não passa de uma palavra, um palavra utilizada para cometer todo tipo de opressão e crime, mas também de atos nobres, corajosos e pacientes.
A palavra “Deus” vem do latim dies que quer dizer “dia”. Quando eu digo “Deus”, estou falando do dia, do dia luminoso; eu digo que o fundo do ser é luz, “clara luz”, acrescentarão os budistas, assim enriquecendo a expressão.
A luz é aquilo que não vemos e aquilo que nos permite ver. Quanto mais pura é a luz, tanto mais ela é transparente e menos a vemos. Assim com só conseguimos ver a luz quando o tempo está brumoso, só “vemos” Deus nos momentos de confusão mental e idolatria.
Deus não é algo a ser pensado, ele é a Inteligência que nos permite pensar.
Deus não é algo a ser amado, ele é o Amor que nos permite amar.
Ninguém jamais o viu, pois a luz não é para ser vista.
Aquele que ama mora e permanece em Deus e Deus mora e permanece nele.
Só conhecemos a Deus através da “participação”: sendo, participamos do Ser (YHWH); sendo inteligentes, participamos do Ser que é Inteligência, Informação criadora (logos); amando, participamos do Ser que é Amor não condicionado (Agape).
Deus não existe. Ele é. Se Deus existisse, como tudo aquilo que existe, um dia ele teria que deixar de existir.
 O verdadeiro Deus não existe e toda apropriação do “verdadeiro” é uma fábrica de ídolos por vezes mortíferos e perigosos. “Meu” Deus não é “teu” Deus e em nome desse Deus que “temos”, todos os crimes são permitidos...
Se Deus existe, todos os crimes são permitidos... e é exatamente isso o que acontece. Se alguns crimes não fossem cometidos em nome de Deus, eles não seriam possíveis, o homem não seria suficiente para inspirar isso ao homem: tantos horrores, carnificinas e assassinatos de inocentes...
Felizmente, Deus não existe; tudo mais existe, apenas Deus não existe, assim como a luz que não é uma coisa dentre as coisas, assim como o Ser que não é um ser dentre os seres existentes, assim como o Amor que não é um amor dentre nossos amores. Esse Deus resiste a se fazer “objeto” de nosso desejo.
Será que podemos permanecer em silêncio? Entrar em relação com esse silêncio? Saboreá-lo como uma presença? Um espaço, uma vastidão no coração de tudo aquilo que nos fecha, nos estreita, nos condiciona fisicamente, psiquicamente, socialmente e, acrescentemos também, cosmicamente, já que fazemos parte da grande natureza que nos envolve?



Quem além de você?


Quem além de você, saberá o caminho do meu coração?... Quem me fará sorrir com uma única lembrança, entre tantas coisas e momentos por lembrar?... Quem me trará o sentido da vida com um único olhar, capaz de iluminar todas as minhas noites e escuridões?... Quem me fará ver estrelas nas noites de chuva e me fazer acreditar que elas existem mesmo quando escondidas?... Quem além de você poderá ter este amor tão intenso, e que não existirá em em outro lugar além de mim?...

Resquício sobre politicagem..

quinta-feira, 15 de outubro de 2015


Os gregos chamavam de idiota (Id = próprio/identidade) aqueles que se limitava a si mesmo, que não participava de uma vida pública, esse termo se destinava a pessoa que se conformava dentro dela mesma, isto é, a vida é cada por si e Deus por todos.
Politica, também, advém do grego, que deriva do termo Pólis, que pode ser traduzida por cidade-estado (comunidade), ou seja, política é o instrumento para estruturar a vida em sociedade/coletividade. Com isso, desdenho aqui todo argumento que apoia uma sociedade sem fazer política. Pois, para ser possivel uma sociedade necessita-se de Política. A possibilidade de construir criticas não é da Política, e sim, do modo como se faz. Logo, política é para aquele que participa da vida em comunidade.
É um pouco tolo dizer que dizer que não se mete em política. Pois, quem assim o faz, já se meteu. Há uma frase antiga que consigna que "os ausentes nunca tem razão". Colocar-se como neutro é condicionar-se ao lado de quem está vencendo. Por isso, dizer eu não participo é uma forma de participar.

"Examinai tudo. Retende o que é bom.”
- I Tessalonicenses, 5:21 -

O Senhor e Rei eterno
 

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