Solidariedade música do amor

segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Jesus subiu a uma montanha de onde podia contemplar a belíssima paisagem do Mar da Galiléia. A multidão que o seguia acomodou-se na grama. Muitos haviam visto ou ouvido falar de como ele pregava e também como curava muitos doentes que o procuravam. Entardecia... Pedro, mal humorado, comentou com André, seu irmão: “Andamos o dia inteiro com essa gente a nos seguir sem parar sequer para comer. Estou morrendo de fome e cansaço”.
Jesus ouviu o desabafo de Pedro. Olhou mais uma vez aquela multidão à sua volta... deu um suspiro profundo e disse a Filipe, que estava próximo a ele:“Essa gente toda está com fome. Onde vamos arranjar alimento para eles...?”
Filipe respondeu: “Nem se juntássemos meio ano de salário não daria para comprar sequer um pedaço de pão para cada um.”
Os apóstolos acenaram a cabeça, concordando. Pedro adiantou-se e disse: “Senhor, mande essa gente voltar para suas casas, lá eles encontrarão comida e descanso”. Tomé acrescentou: “e nós também poderemos comer e descansar em paz”.
Jesus retrucou: “Mas se vocês tem o que comer, dividam com essa gente...”
Ele se entreolharam em silêncio. Judas disse: “Mas nós também não temos nada”.
Judas mentia. Na última aldeia pela qual passaram, ele, que era quem cuidava do dinheiro do grupo, comprara pão, queijo e frutas. Guardara tudo em algumas sacolas que estavam escondidas. Como os outros, imaginava que se abrissem as sacolas ali, diante de todos, não sobraria uma migalha.
Na verdade, muita gente raciocinava da mesma forma. Eu também. No meu alforje havia um sanduíche de pão com carne de cordeiro, bem guardado, esperando o momento adequado para virar meu jantar.
Por um instante fez-se um silêncio constrangedor. Então, um rapazinho que estava ao meu lado ergueu-se e foi até André, o irmão de Simão Pedro. Conversaram. André disse a Jesus:
“Mestre, há aqui um rapaz que está oferecendo seu lanche.” E com um sorriso debochado: “São cinco pães de cevada e dois peixes! O que é isso para tanta gente?”
Jesus chamou o rapaz. Na verdade era quase um menino, um adolescente de seus 13 anos. Ele aproximou-se e sentou-se ao lado de Jesus que, passando o braço sobre seu ombro, fez um afago em seus cabelos dizendo:
“Então, rapaz, é você que vai garantir o nosso jantar?”. O garoto respondeu, mostrando um pequeno cesto: “Só tenho isso, Senhor, mas pode dividir com todos”.
Jesus pegou o cesto, fechou os olhos e fez uma breve oração. Depois se ergueu, partiu um dos pães, partiu também um peixe, fez um pequeno sanduíche e deu a Judas. Fez o mesmo com Pedro, Tomé, Filipe, João. Foi distribuindo a eles um pedacinho do alimento. Os apóstolos se entreolhavam, constrangidos. Eu e todos em volta, observávamos tudo, surpresos. Logo, Jesus ficou com o cesto vazio. Parou e olhou para nós. Com um sorriso, encolheu os ombros, meio dizendo, meio perguntando:
“Acabou!?” João gritou: “Judas, onde estão as sacolas?”. Judas, contrariado: “Ali, atrás daquelas árvores...”
João correu e trouxe as sacolas, colocando-as aos pés de Jesus. Ele chamou o garoto e disse: “Você me ajuda a distribuir?” O menino, sorridente, abriu a primeira sacola e ergueu no ar um belo pão de centeio, tostadinho, que logo foi sendo repartido de mão em mão. De repente, toda a multidão se agitou. É que as pessoas que tinham os alimentos guardados, escondidos, começaram a colocá-los na roda, envergonhados ou seduzidos pelos gestos de Jesus e do menino. Logo o alto da montanha tornou-se um imenso pic nic. Todos riam e falavam alto, livres do constrangimento inicial.
“Tome aqui, Malaquias, uma coxa de frango, deixa provar um pouco do seu vinho! Hum, Sara, esse bolo está uma delícia, experimente aqui da minha farofa!”
Ao meu lado estava um homem gordo e sorridente, de olho no meu alforje. Com o coração apertado tirei o sanduíche e ofereci um pedaço. Ele apanhou o sanduíche inteiro e agradeceu. Algumas dentadas e lá se foi o meu jantar. Olhei em volta, desolado, e dei com Jesus, bem diante de mim. Ele deu uma gargalhada e me chamou para perto dele. Eu me aproximei, sem graça e ele, fixando seus olhos em mim, me estendeu um pedaço de pão e um copo de vinho. Senti algo diferente, como se naquele olhar ele quisesse, na verdade, alimentar a minha alma e o meu coração.
A noite foi chegando, fogueiras foram sendo acesas. Rodas de amigos e famílias inteiras se reuniam, conversando, cantando, batendo papo descontraidamente, numa inesperada e espontânea festa. Jesus disse aos apóstolos: “Recolham toda a comida que sobrou. Que nada se perca. Vamos garantir o lanche da manhã.” Eles passaram entre os grupos e voltaram trazendo alimento suficiente para encher doze grandes cestos.
Jesus olhou o menino, sentado ao seu lado, e disse, num sorriso: “É, garoto, que milagre você fez aqui, hoje...!”.
O sorriso menino me fez lembrar o lanche coletivo, na escola infantil. Quando a gente guarda, estoca, acumula, falta; quando a gente compartilha, sobra...
Eduardo Machado/Outubro de 1997

Se Perfeição (Deus) por que há imperfeição?

quarta-feira, 26 de agosto de 2015



Se Deus é perfeito por que há imperfeição? Diria Leibiniz: Se Deus existe por que há o mal? Se Deus não existe por que há o bem?
Pensando em Deus perfeito, cantaria o louco na esquina: Se o mundo fosse perfeito não haveria mundo, e sim, Deus. Para que o mundo exista ele precisa ser diferente de Deus.
Não há outra alternativa era preciso fazer diferente. Fazer menos perfeito. Deus mais o mundo é pior, Deus sem o mundo é melhor.
A partir disso, aparece o supremo amor (ágape), que é recuar para que o amado avance.






RaFAel dE quEIroZ tORres

Sobre Igreja

quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Se a igreja é o corpo do Cristo, as paredes catedráticas são suas covas... Não existe vida na pele de concreto sacralizados. O homem é o sangue que percorre as veias da comunidade e o Cristo é o coração que bombardeia a Missio Dei. 

Sobre o corpo

terça-feira, 28 de julho de 2015
Quando toca alguém nunca toque só um corpo. Quer dizer, não esqueça que toca uma pessoa e que neste corpo está toda a memória de sua existência. E, mais profundamente ainda, quando toca um corpo, lembre-se de que toca um Sopro, que este Sopro é o sopro de uma pessoa com seus entraves e dificuldades e, também, é o grande Sopro do universo. Assim, quando toca um corpo, lembre-se de que toca um Templo.
Jean-Yves Leloup

UM POUCO DO NADA SOBRE DEUS

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015


Deus,  é aquele silencio ensurdecedor. É a imagem distante da qual não vemos nada. É o perfume que tem em nós, mas nunca sentimos. O que realmente é desconhecido nunca será conhecido. Pode até nos iludir com um pouco do que é, para assim, despertamos a bondade que dorme no nosso peito. O homem não quer andar sem certezas. Porém, Deus, é incerteza. Engaiola-se então um deus para admirar-se a si mesmo. Enquanto isso Deus estará escorregando e acariciando entre os dedos daqueles que amam sem mesmo precisar falar Dele. Diria Rubem Alves: "Não precisamos dizer o nome 'rosa' para sentir seu perfume. Não precisamos dizer o nome 'mel' para sentir dua doçura. Muitas pessoas que jamais pronunciaram o nome de Deus o conhecem como reverência pela vida."



RafAEl De QueiROZ torREs--

O QUE VALE A PENA?

sexta-feira, 26 de setembro de 2014
O que vale a pena? Conquistas diplomáticas e um destacado status social? Ser famoso e não ser importante? Importante vem de importar, trazer para dentro. Ser importante para alguém é quando se faz falta, é quando se mora dentro do coração e da memoria do outro.
 O que vale a pena? Ter o carro do ano e a mulher cobiçada por todos? Não por ela, mas, porque ela é cobiçada por todos. O que vale a pena? São as conquistas, casas, carros, destaques?
 O que vale a pena? Ser útil? Ou ser Inútil? Alguém abraçar mesmo não tendo o que oferecer, ou seja, uma retribuição inútil de outro abraço?
 O que vale a pena? Se na morte os carros, as casas, a fama, as conquistas, os diplomas  a memoria não fará questão de lembrar. Mas, o abraço apertado, o beijo ansioso, a conversa informal, o banho no mar, as brincadeiras fúteis, o ombro repousando o choro, o riso inesperado. O bom dia na cama.  O perdão dado. O pisão no calo não desconsiderado. O aconchego na cama com luzes apagadas. O olhar nos olhos que dizem: como é bom você existir. Um filme no fim da tarde. A coisa simples ditas antes de dormir. 
O que vale a pena? As coisas comuns que nos fazem falta e que nos são gritadas pela memoria na angustia da morte? 
(RaFAel dE quEirOZ TOrreS)



Viva como se um dia fosse morrer, e morra como quem soube viver direito.
 (Chico Xavier)

um pouco de vida

sexta-feira, 18 de abril de 2014
A confiança para ser construída precisa-se meses ou anos,
A quebra dela basta segundos,
 A vida integralmente racionalizada não é vivida,
A loucura totalmente executada é um caos,
É preciso na vida um tanto de certeza,
E outro tanto de insanidade,
Tenta-se desvelar a vida racionalmente,
Tenta-se mergulhar de cabeça,
O sentido está na causa que impulsa,
O significado está na possibilidade do erro,
E não no seu acertar sem dúvidas,
Viver é velejar,
É fazer falarem,
É também não ouvi-los,
É ter a si mesmo como condutor,
É saber que as coisas e o momento me influenciam,
Mas, sou o responsável pelas minhas decisões,
Somos uma mistura de razão, loucura, paixão e frieza,
Mas, somos nós que aquietamos todas elas

E decidirmos como vai ser.  

Saudades

quarta-feira, 19 de março de 2014
Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:


aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Felicidade é discreta, silenciosa e
frágil, como a bolha de sabão.
Vai-se
muito rápido, mas sempre se pode
mas
soprar outras.
Quem é rico em sonhos não envelhece
nunca.
Pode até ser que morra de repente.
Mas morrerá em pleno vôo.
O que é muito bonito.
Eternidade é o tempo quando o longe fica perto.
Não quero nem subir para os céus, nem progredir para frente.
Quero mesmo é voltar para os lugares e os tempos que amei e perdi.
A alma é o lugar da saudade.
Velhice é quando o rio se prepara para converter-se em mar.
Para tudo há um tempo.
Mas Deus colocou o coração do homem para além do tempo, na eternidade.
Seremos sábios quando nos tornarmos crianças: essa é a essência da sabedoria bíblica.
Deus é alegria.
Uma criança é alegria.
Deus e uma criança têm isso em comum: ambos sabem que o universo é uma caixa de brinquedos.
Deus vê o mundo com olhos de criança.
Está sempre à procura de companheiros para brincar.
Eu poderia ter sido jardineiro...
Como não fui, tento fazer jardinagem como educador, ensinando às
crianças, minhas amigas, o encanto pela natureza.
O jardim é a face divina da nostalgia que mora em nós.
Jardins bonitos há muitos, mas só traz alegria o jardim que nascer dentro da gente.
Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora,nasce a primavera do lado de dentro.
Esperança é quando, sendo inverno do lado de fora, a despeito dele brilha o Sol de verão no lado de dentro.
Já tive medo da morte.
Hoje não tenho mais.
O que sinto é uma enorme tristeza.
A vida é tão boa! Não quero ir embora...
A vida, para ser bela, deve estar cercada de verdade, de bondade, de liberdade.
Essas são as coisas pelas quais vale a pena morrer.
"Examinai tudo. Retende o que é bom.”
- I Tessalonicenses, 5:21 -

O Senhor e Rei eterno
 

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